Autoapresentação Sônia Regina


1- Fale sobre suas experiências de leituras e processos criativos desde que você entrou no curso.

Minhas experiencias de leituras foram bem diferenciadas ao decorrer do curso mas alguns títulos me chamaram mais a atenção. Logo no inicio do curso tive contato com Hamlet de Shakespeare e A Gaivota de Anton Tchekhov. Depois veio Nelson Rodrigues com A vida como ela é, Álbum de família e Vestido de noiva. Antes de entrar no curso, eu já gostava muito do Augusto Boal, porém não tinha lido. O livro Jogos para atores e não atores, pra mim, foi uma chave virada, acredito que meu lado pedagógico gritou nesse momento pois sempre acreditei na arte como protesto e depois desse livro vi que ela é transformadora também. O meu processo criativo por si só é uma bomba. Uma hora está extremamente alto e outrora, está baixo. Os livros me ajudam mas sinto que é algo muito intenso para definir. Meu ápice negativo de criatividade foi durante a pandemia, acredito que por conta do isolamento em um local pequeno onde eu não podia me movimentar, e por ser muito ativa, não trabalhar o corpo me deixa estagnada. Ando com um caderno pequeno pra fazer anotações quando surgem ideias e faço mapas mentais, são duas técnicas que me ajudam muito no processo criativo. A dança me ajuda bastante também.

 

2- O que você entende por "teatralidades"?

Pra mim a vida é uma grande teatralidade. Tudo é performático, encenado e ensaiado. É energia! Desde a adolescência me vejo no meio da anti-musica e anti-arte, inserida no movimento punk, e atualmente no rackativismo com os k-popers, a arte é uma forma de protesto ao pensamento que diz que a arte tem q ser bonita e esteticamente agradável. É o incomodo, a repulsa, o ódio, o amor, a paz e a alegria, passados das mais diversas formas performáticas que a vida apresenta. A teatralidade é o espetáculo da vida, que pode ser uma comedia, tragédia, ambos ou nenhum.  A vida é um grande drama, que por muitas vezes não nos atentamos aos spoilers.

 

3- Quais suas expectativas quanto a um curso chamado "teatralidades brasileiras"?

O primeiro contato que tive com essa disciplina particularmente não foi muito agradável pra mim. Apesar de respeitar e entender a importância de pessoas como Franco Zampari, Martins Pena, Hilda Hilst e Plínio Marcos, eu não entendia o por que de uma disciplina chamada teatralidades brasileiras, nunca ter citado Abdias do Nascimento, Ruth de Souza, Aguinaldo Camargo, Teatro Experimental Negro, Teatro do sentenciado, e nem Teatro Indígena. Permaneci durante um mês na disciplina, e saí me perguntando se não falavam por não conhecer, ou por não ser do "mainstream" da arte brasileira. Apesar de estudar por fora, gostaria de entender mais sobre o teatro no Brasil para a população, não o teatro para a elite brasileira. Nessa disciplina, eu gostaria de realmente conhecer as teatralidades brasileiras, e não teatralidades europeias abrasileiradas. Estou bastante animada, pois a primeira aula foi bem interessante e eu acredito que vou aprender muito não só sobre teatralidades, mas sinto que essa disciplina irá alavancar meu pensamento critico artistico. 

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